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Ações da Berkshire batem recorde e apagam queda pós-saída de Buffett

Classes A e B superam patamares anteriores ao anúncio da sucessão de Warren Buffett por Greg Abel, segundo newsletter da CNBC

Ações da Berkshire batem recorde e apagam queda pós-saída de Buffett
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As ações da Berkshire Hathaway voltaram a marcar máximas históricas nesta semana, encerrando um ciclo de quase 18 meses em que os papéis carregavam o peso do anúncio surpresa feito por Warren Buffett na assembleia de acionistas de 2025: a decisão de deixar o cargo de CEO ao fim daquele ano, com a passagem do comando para Greg Abel, segundo reportagem da CNBC.

O movimento recente devolve às ações um patamar que havia sido perdido logo após o anúncio, quando investidores reagiram mal à notícia mesmo diante de garantias de analistas de que a cultura e a estratégia da companhia seguiriam intactas sob a nova liderança.

A queda que seguiu o anúncio

Segundo a CNBC, na sexta-feira anterior à assembleia, em 2 de maio de 2025, as ações da classe A fecharam a US$ 809.350, enquanto as da classe B terminaram o pregão a US$ 539,80. A reunião de acionistas ocorreu no sábado seguinte, 3 de maio.

Na segunda-feira seguinte, 5 de maio, os papéis BRK.A caíram 4,9% e os BRK.B recuaram 5,1%. A reportagem da CNBC apontou que uma queda de 14% no lucro operacional do primeiro trimestre, também divulgada naquele sábado, pode ter contribuído para o tombo.

Na época, a CNBC citou a avaliação de Brian Meredith, analista do UBS, para quem a cultura e a estratégia da companhia permaneceriam inalteradas sob Abel, descrevendo a Berkshire como uma empresa menos dependente da capacidade de investimento pessoal de Buffett, com negócios líderes de geração de caixa consistente.

Ainda assim, segundo a CNBC, os investidores não pareceram convencidos no momento, e o mercado passou a especular sobre o desaparecimento de um suposto 'prêmio Buffett' embutido no preço das ações. Três meses depois, nas mínimas do ano, a classe A acumulava perda de 14,3% e a classe B, de quase 15%.

A recuperação e os novos recordes

De acordo com a CNBC, desde essas mínimas as ações subiram 18%, e na terça-feira desta semana ambas as classes superaram os níveis registrados antes do anúncio de 2025, estabelecendo novos fechamentos recordes.

Na quinta-feira, os papéis avançaram ainda mais, fechando em máximas de US$ 820.500 para a classe A e US$ 546,97 para a classe B. Na sexta-feira, as ações perderam quase 1%, mas permaneceram cerca de meio ponto percentual acima dos níveis observados pouco antes da assembleia de 2025, segundo a reportagem.

A CNBC destacou ainda que o movimento recente reduziu o déficit acumulado no ano da Berkshire em relação ao índice S&P para menos de quatro pontos percentuais.

A disparada de outubro

A reportagem associa parte da valorização recente a uma rotação dos investidores para fora de ações de tecnologia e inteligência artificial que haviam liderado os ganhos do mercado, em meio a preocupações crescentes de que os gastos elevados em infraestrutura computacional dessas empresas não se traduzam em lucros sustentáveis.

Nesse contexto, a Barron's chamou a Berkshire de 'o anti-AI play definitivo', segundo trecho reproduzido pela CNBC. A publicação citou que a companhia detém mais de US$ 350 bilhões em caixa e equivalentes em seu balanço, além de perto de US$ 50 bilhões em lucro anual após impostos provenientes de um grupo diversificado de negócios, o que a tornaria a ação mais defensiva entre as de grande capitalização do mercado.

No programa 'Morning Call' da CNBC, na segunda-feira, Adam Patti, da VistaShares — gestora que administra um ETF que replica a carteira da Berkshire —, disse que o afastamento do mercado de um período de 'frenesi movido a momentum' chega em bom momento para a companhia.

Segundo a CNBC, Patti afirmou que o mercado passou um ano precificando a Berkshire sem Buffett e que, agora, parece ter concluído que Abel de fato é capaz de administrá-la, elogiando o uso que o novo CEO tem feito do caixa disponível. Ele descreveu a Berkshire como 'uma mola comprimida', que, quando volta a se mover, o faz de forma rápida e intensa.

Outras notas da cobertura

A newsletter da CNBC também reuniu outras notícias recentes envolvendo Buffett e a Berkshire, incluindo a aprovação judicial de um acordo de US$ 535 milhões entre uma afiliada da companhia e uma extinta fornecedora de talco, segundo a Reuters. A seleção trouxe ainda comentários sobre o papel do caixa da Berkshire em eventuais negociações de capital ligadas à Meta, mencionado pela Barron's, além de registros de que a filantropa Doris Buffett, irmã do investidor, já doou US$ 200 milhões desde a criação de sua fundação em 1996, de acordo com a Parade.

A edição também resgatou um trecho do arquivo da CNBC, de uma assembleia de acionistas de 2001, em que Charlie Munger respondeu a uma pergunta sobre erros de negócio afirmando que os enganos mais custosos da história da Berkshire foram os de omissão — oportunidades não aproveitadas que não aparecem nos resultados contábeis, mas que, segundo ele, representam o maior custo real para os acionistas ao longo do tempo.

O que isso significa para o investidor

A recuperação integral das ações da Berkshire após a saída anunciada de Buffett indica que o mercado, segundo os próprios números relatados pela CNBC, reavaliou o risco de transição de comando que havia precificado em 2025. A redução do déficit acumulado da ação frente ao S&P para menos de quatro pontos percentuais é um dado relevante para quem acompanha a tese de que a empresa pode voltar a performar em linha com o mercado amplo, mesmo sem a presença direta de Buffett na gestão operacional.

O contraste com a rotação saindo de ações de tecnologia e inteligência artificial também merece atenção. Segundo a análise reproduzida pela CNBC, o grande volume de caixa da Berkshire e a diversificação de seus negócios a colocam em posição distinta frente a empresas mais expostas a gastos elevados de capital sem retorno garantido no curto prazo — um fator que pode pesar na alocação de investidores que buscam reduzir exposição a ativos mais voláteis nesta fase de mercado.

Vale notar que o pano de fundo macro mostra um S&P 500 em leve recuo nesta sessão: o índice era cotado a 7.623,68 pontos, queda de 0,52% no dia, conforme dados do TradingView referentes a 24 de outubro de 2026, às 20h22 (horário de Brasília). Esse movimento reforça, ainda que de forma pontual, o apelo relativo de ativos percebidos como defensivos.

Para o investidor brasileiro com exposição internacional, o episódio reforça a importância de observar não apenas o preço da ação, mas os fundamentos por trás da narrativa de transição de liderança: geração de caixa, disciplina de alocação do novo CEO e a forma como o mercado precifica gradualmente a confiança em uma gestão sem o fundador à frente. O comportamento das próximas divulgações trimestrais da Berkshire tende a ser o próximo teste relevante dessa tese.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos