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Tokenização bancária ainda mira grandes clientes, mas banco britânico quer mudar isso

JPMorgan e Citi movimentam somas bilionárias em depósitos tokenizados, mas restritos a redes internas; Monument Bank planeja levar o modelo ao varejo

CoinDesk

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JPMorgan e Citi já processam trilhões de dólares por meio de sistemas baseados em blockchain, mas essas operações de pagamento tokenizado permanecem, em grande parte, restritas a clientes institucionais e a redes com acesso controlado, segundo reportagem do CoinDesk.

Nesse cenário, o banco desafiante britânico Monument Bank planeja tokenizar até 250 milhões de libras (US$ 335 milhões) em depósitos de varejo remunerados por juros, utilizando a rede Midnight. O projeto recorre a provas de conhecimento zero para proteger dados de clientes enquanto atende a exigências regulatórias.

O objetivo declarado é dar a consumidores comuns acesso a investimentos e crédito tokenizados por meio de um aplicativo bancário convencional, sem exigir que entendam ou lidem diretamente com criptomoedas.

Para dimensionar a escala das operações institucionais atuais: a plataforma Kinexys, do JPMorgan, movimenta mais de US$ 3 trilhões, enquanto o Citi Token Services processa bilhões de dólares diários em pagamentos transfronteiriços. Ambas são citadas como exemplos de modernização de sistemas legados por meio de blockchain — mas nenhuma delas atende diretamente o correntista comum de uma conta poupança.

Segundo o CoinDesk, essa lacuna não é acidental. Mintoo Bhandari, fundador do Monument Bank — instituição com balanço de aproximadamente US$ 2,4 bilhões —, afirmou que a maior parte das moedas emitidas e usadas para transferência de dinheiro corresponde a projetos internos das próprias instituições. Ele questiona se isso de fato representa um avanço relevante para o banco como um todo e para o consumidor final, dizendo que ainda não é o caso.

Essa é, segundo a reportagem, a divisão central do debate sobre dinheiro tokenizado: bancos colocam depósitos e pagamentos tokenizados em infraestrutura blockchain, mas a maioria dos projetos segue restrita a clientes institucionais ou redes permissionadas. Monument e a Midnight apostam que depósitos bancários regulados e remunerados podem, no futuro, dar a clientes de varejo acesso a produtos tokenizados sem que precisem compreender criptoativos.

Infraestrutura legada como obstáculo

Bhandari observou que a quase totalidade dos bancos se apresenta como digital por ter um aplicativo, mas na prática enfrenta arquiteturas legadas que remontam à década de 1970 e que não conseguem simplesmente superar.

Jerald David, CEO da Lynq Network, descreveu um problema paralelo enfrentado por mesas de tesouraria de grandes instituições: elas lidam com três sistemas distintos para a mesma função — um depósito tokenizado do JPMorgan para um cliente, uma stablecoin regulada para outro, e uma conta correspondente tradicional para um terceiro. O dinheiro se move pelos mesmos motivos, mas em infraestruturas diferentes.

Segundo David, o que os clientes não podem se dar ao luxo de ter são pools de liquidez isolados em cada rede que acessam, já que liquidez ociosa fragmentada entre cinco redes representa uma ineficiência de capital cinco vezes maior do que a mesma liquidez concentrada em um único lugar.

A reportagem destaca uma diferença estrutural: ao contrário de uma stablecoin, um depósito tokenizado continua sendo uma obrigação do banco emissor. Ele pode render juros, permanecer dentro do sistema bancário regulado e, potencialmente, ser programado para liquidar contra ativos também tokenizados. A questão em aberto é se os bancos conseguem entregar esses benefícios ao consumidor final mantendo privacidade, conformidade regulatória e controle sobre quem detém o depósito.

Depósitos remunerados por juros

Bhandari afirmou que o Monument, diferentemente de emissores de stablecoins, possui licença bancária que permite remunerar depósitos com juros, e que o banco planeja oferecer contas de poupança tokenizadas com rendimento.

Fahmi Syed, presidente da Midnight Foundation, apontou um desafio distinto ligado a infraestruturas blockchain públicas: bancos não podem expor dados de transações e relacionamentos comerciais de seus clientes.

Segundo Syed, ao criar uma blockchain privada surge a dificuldade de comunicação com outra blockchain privada — é preciso recorrer a uma ponte ou outro mecanismo, o que abre espaço para vazamento de dados. Ele afirmou que tanto JPMorgan quanto Citibank já reconheceram esse problema internamente.

Blockchains bancárias privadas podem funcionar bem como livros-razão internos, mas conectá-las a redes externas sem expor informações sensíveis é mais complicado, segundo a reportagem. A Midnight utiliza provas de conhecimento zero, projetadas para permitir que um banco verifique se um cliente ou uma transação atende a determinadas condições sem colocar os dados pessoais subjacentes na própria blockchain, explicou Syed.

Para ilustrar o problema prático, a reportagem cita o exemplo de um fundo que recebe pagamento em stablecoins em uma manhã de sábado: o lado cripto da operação é liquidado sem problemas, mas se o fundo precisar desse dinheiro para cobrir uma chamada de margem antes da abertura dos mercados na segunda-feira, surge um obstáculo — a tesouraria do corretor principal opera em horário bancário e não aceita ativos digitais. O dinheiro está disponível, mas não pode ser usado.

David resumiu a situação afirmando que o capital existe, mas está deslocado — simplesmente não é utilizável onde e quando é necessário.

O plano para o varejo

De acordo com o CoinDesk, o Monument planeja tokenizar até 250 milhões de libras (US$ 335 milhões) em depósitos de clientes de varejo. Esses depósitos permaneceriam remunerados por juros, totalmente garantidos pelo Monument e resgatáveis um a um em libras esterlinas, com proteção do Financial Services Compensation Scheme, sujeita aos limites do próprio esquema.

Bhandari afirmou que ninguém, até o momento, conseguiu efetivamente habilitar o varejo a participar diretamente da tokenização. A plataforma foi desenhada para que os clientes não precisem saber que estão usando blockchain ou criptomoeda — a experiência, segundo ele, se assemelharia a um depósito comum em libras esterlinas, com saque disponível a qualquer momento.

O objetivo de longo prazo é dar a esses clientes acesso a participações fracionadas em private equity, produtos estruturados tokenizados e operações de crédito lombardo (Lombard lending) dentro de um aplicativo bancário regulado, sujeito às permissões cabíveis.

Caso o modelo funcione, disse Bhandari, o banco pretende licenciar a infraestrutura para outras instituições por meio de um braço chamado Monument Technology. Segundo a reportagem, o teste maior não é se os bancos conseguem tokenizar dinheiro — isso já é possível —, mas se conseguem tornar esse dinheiro útil para o consumidor sem abrir mão da privacidade, das salvaguardas regulatórias e da confiança que distinguem um depósito bancário de um token cripto.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o setor financeiro e de ativos digitais, o caso do Monument Bank sinaliza uma etapa distinta da adoção institucional de blockchain: a tentativa de levar a tecnologia da retaguarda bancária para o produto de varejo, algo que gigantes como JPMorgan e Citi ainda não fizeram em escala aberta ao público comum, segundo os dados apresentados pelo CoinDesk.

Se a experiência britânica avançar e for licenciada a outras instituições via Monument Technology, isso pode abrir caminho para que bancos de outros mercados — inclusive fora do Reino Unido — ofereçam produtos híbridos de depósito remunerado com exposição a ativos tokenizados, como private equity fracionado e crédito lombardo, sem que o cliente precise operar diretamente em blockchain.

Investidores institucionais e gestores de tesouraria devem monitorar de perto o problema de fragmentação de liquidez apontado por Jerald David: enquanto bancos operam em redes tokenizadas distintas sem interoperabilidade plena, a ineficiência de capital tende a permanecer um obstáculo relevante para operações de tesouraria que dependem de liquidação rápida entre sistemas digitais e tradicionais.

Por ora, trata-se de um projeto-piloto de escala ainda limitada frente aos volumes das plataformas do JPMorgan e do Citi, mas que testa diretamente a hipótese central do setor: se depósitos bancários regulados, remunerados e tokenizados podem coexistir com privacidade de dados via provas de conhecimento zero — um desenho técnico que, se validado, tende a atrair atenção de reguladores e de outros bancos que buscam expandir a tokenização além do uso puramente institucional.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos