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JP Morgan diz não conseguir mais prever petróleo por guerra entre EUA e Irã

Banco afirma a clientes que não sabe modelar o desfecho do conflito, mesmo após limites econômicos que julgava intransponíveis terem sido rompidos, segundo a BBC

JP Morgan diz não conseguir mais prever petróleo por guerra entre EUA e Irã
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O JP Morgan enviou a investidores uma nota pouco usual admitindo dificuldade em projetar o comportamento dos preços do petróleo diante do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo a reportagem da BBC, os analistas do banco escreveram que simplesmente não sabem como modelar o desfecho da crise.

A instituição relatou que, no início do conflito, partiu da premissa de que existiriam linhas vermelhas econômicas que o governo de Donald Trump não estaria dispostas a cruzar. Por isso, esperava que um acordo já tivesse sido fechado em junho para reabrir o Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.

Entre os limites citados pelo JP Morgan estavam o petróleo superando 100 dólares o barril, a inflação atingindo 4%, a gasolina passando de 5 dólares o galão e os juros dos títulos do governo americano de dez anos chegando a 5%. "O mercado está em alerta", afirmaram os analistas do banco, segundo a BBC.

Para o JP Morgan, o fato de um nome de peso no mercado financeiro reconhecer dificuldade em avaliar o impacto econômico do conflito ilustra o quanto é complexo antecipar os próximos movimentos de Trump. Uma fonte da indústria de óleo e gás ouvida pela BBC descreveu a nota como algo "pouco comum" para uma gestora do porte do banco, mas ponderou que ela reflete o momento atual, dada a incerteza em torno da guerra.

Decisões de investimento costumam levar em conta expectativas de inflação, e o preço do petróleo é um fator relevante nesse cálculo, dado o uso disseminado da commodity e a dependência global em relação a ela.

Segundo o levantamento citado pela BBC, a gasolina ainda está abaixo de 5 dólares o galão e a inflação não chegou a 4%. Ainda assim, o petróleo voltou a superar os 100 dólares o barril nas últimas semanas, e o rendimento dos títulos do governo americano — usados para captar recursos no mercado financeiro — passou de 5%.

"Seis meses depois \[do início da guerra\], muitas dessas linhas já foram cruzadas, mas a estratégia de saída está menos clara, não mais", disse a equipe de pesquisa de commodities do JP Morgan, de acordo com a nota reproduzida pela BBC. "Pela primeira vez desde o início do conflito no Irã, não temos um cenário-base. Simplesmente não sabemos como modelar o desfecho", completaram os analistas.

Trump afirmou na semana passada não acreditar que a guerra com o Irã terminaria antes das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos. "Logo depois da eleição, os preços do petróleo vão despencar", disse o presidente a jornalistas, segundo a BBC. "Acho que vai levar um pouco mais de tempo do que o meio de mandato."

Os preços elevados do petróleo têm pressionado o custo de vida nos Estados Unidos e no restante do mundo, com combustíveis e energia subindo às vésperas dos meses mais frios. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, justificou movimentos recentes da política monetária dizendo que "a inflação está muito alta e assim permanece há muito tempo", posição da qual Trump discordou publicamente, segundo a reportagem.

'Sem sinais claros de desescalada'

Na nota, os analistas do JP Morgan estimaram que o valor justo do petróleo em setembro seria de cerca de 90 dólares o barril, mesmo com a commodity sendo negociada acima de 100 dólares. Segundo o banco, o mercado está precificando o risco de novas disrupções no comércio global.

O conflito entre Rússia e Ucrânia também continua a pesar sobre esse cenário, de acordo com a BBC. Os analistas afirmaram que, sem sinais claros de desescalada nas duas frentes, a premissa de que a interrupção na oferta global de petróleo seria temporária está cada vez mais difícil de sustentar.

O que isso significa para o investidor

A admissão do JP Morgan de que não consegue modelar o desfecho do conflito é relevante para quem monta carteiras expostas a energia, câmbio e renda fixa americana: quando um banco desse porte diz explicitamente que abandonou seu cenário-base, o mercado tende a operar com prêmios de risco mais altos e maior volatilidade nos ativos ligados a petróleo e juros.

O fato de o rendimento dos títulos de dez anos dos EUA já ter passado de 5% — um dos limites que o próprio banco via como linha vermelha — reforça que o custo de financiamento do governo americano está sob pressão, o que tende a se refletir em ativos globais, incluindo os emergentes. Vale notar que, segundo cobertura anterior do AAR News, o rendimento desse mesmo título recuou para menos de 5% em 18/09/2026, em um momento de alívio após temores ligados ao Fed, de acordo com o CoinDesk — um contraste que mostra como esse indicador tem oscilado com a percepção de risco.

Investidores brasileiros também devem observar o desdobramento legislativo nos Estados Unidos: conforme noticiado pelo AAR News em 16/09/2026, a Câmara americana aprovou projeto permitindo tarifas de até 100% sobre países que compram petróleo russo, medida que setores do próprio Partido Republicano temem poder ampliar demais os poderes tarifários de Trump e alimentar pressões inflacionárias. Esse tipo de medida se soma à incerteza sobre o conflito no Irã e reforça o cenário descrito pelo JP Morgan, de oferta global de petróleo sujeita a choques que já não parecem temporários.

Na prática, para quem investe no Brasil, o sinal mais direto é acompanhar de perto a cotação do petróleo e o rendimento dos títulos americanos de longo prazo como termômetros de estresse global, já que ambos afetam o câmbio, a inflação importada e o custo de capital para empresas brasileiras com exposição a commodities e dívida em dólar.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos