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Futuros de Wall Street sobem 400 pontos após tombo provocado pelo Fed

Bolsas tentam recuperação um dia depois da primeira alta de juros do Fed em três anos; petróleo recua e ajuda ações, enquanto Banco da Inglaterra mantém taxa parada

Futuros de Wall Street sobem 400 pontos após tombo provocado pelo Fed
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Os futuros das principais bolsas americanas avançavam nesta quinta-feira, em movimento de recuperação parcial depois da sessão de perdas provocada pela decisão do Federal Reserve de elevar os juros pela primeira vez em três anos. Segundo a CNBC, os contratos futuros ligados ao Dow Jones Industrial Average subiam 457 pontos, ou 0,9%, enquanto os futuros do S&P 500 avançavam 0,9% e os do Nasdaq-100 ganhavam 1,2%.

O movimento contrastava com o pregão anterior, quando o Dow Jones havia recuado mais de 630 pontos, equivalente a 1,2%, puxado para baixo por ações do setor financeiro. Na mesma sessão, o S&P 500 caiu 0,5% e o Nasdaq Composite terminou o dia com leve queda, de acordo com a reportagem.

Petróleo em queda ajuda o apetite por ações

A retração nos preços do petróleo contribuiu para o otimismo dos futuros nesta quinta-feira. O petróleo americano (WTI) operava com queda de 2%, próximo a 100 dólares o barril, enquanto o Brent recuava também 2%, para cerca de 102 dólares o barril, conforme os dados citados pela CNBC.

Fed eleva juros e sinaliza que ciclo pode continuar

As oscilações de mercado desta semana têm origem na decisão do Federal Reserve de elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em um quarto de ponto percentual, levando o intervalo-alvo dos fed funds para entre 3,75% e 4%. Os dirigentes do banco central também sinalizaram que uma nova alta pode ocorrer ainda este ano. O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inflação continua em patamar elevado demais, segundo a reportagem da CNBC.

Gestores mantêm postura construtiva apesar da volatilidade

Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth Management, escreveu em nota nesta quinta-feira que sua equipe segue "posicionada para novos ganhos em ações, ao mesmo tempo em que se prepara para volatilidade no curto prazo". Segundo ele, "se o aperto monetário permanecer moderado, os spreads de crédito seguirem estáveis e os lucros continuarem crescendo, o rali deve ter espaço para se espalhar entre setores e regiões". Haefele recomendou exposição diversificada em ações, evitando concentração excessiva em segmentos sensíveis a juros ou que dependam de um único fator de retorno.

Outra visão otimista veio de Bob Edwards, diretor de investimentos da gestora Edwards Asset Management, sediada na Flórida. Em nota enviada por e-mail e citada pela CNBC, Edwards afirmou que, "passada esta alta de juros, as ações podem seguir em frente". Ele descreveu as quedas registradas após a decisão do Fed como uma "reação exagerada" e uma "oportunidade de compra", argumentando que "quando os preços das ações caem sem uma queda comparável nas perspectivas, esse é um sinal clássico de oportunidade de compra". Segundo o gestor, a equipe está orientando clientes a aumentar posições em ações, com foco em valuation, crescimento de receita, balanços e geração de caixa duradoura.

Atenção aos dados econômicos do dia

Os investidores também aguardavam a divulgação de indicadores econômicos nesta quinta-feira em busca de mais sinais sobre a saúde da economia americana. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estavam previstos para as 8h30 (horário de Brasília, conforme fuso dos EUA citado na matéria), e o mercado também monitorava os dados de construção de novas residências (housing starts) de agosto, que podem indicar como os custos de financiamento mais altos estão afetando o setor de construção residencial.

Ásia fecha mista após decisão do Fed

Na Ásia, o Nikkei 225, do Japão, fechou em alta de 0,33%, a 64.136,25 pontos, na quarta-feira. O Kospi, da Coreia do Sul, encerrou praticamente estável, em 6.715,41 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuava 0,62% na última hora de negociação de quinta-feira, enquanto o CSI 300, que reúne ações da China continental, fechou em queda de 0,45%, a 4.460,16 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,41%, para 8.732,40 pontos.

Europa opera em alta

As bolsas europeias avançavam no início do pregão de quinta-feira. O índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,7%, com a maioria dos setores e das principais praças em território positivo. O FTSE 100, de Londres, liderava os ganhos com alta de 0,8%, enquanto, em outro momento do dia citado pela reportagem, o próprio FTSE 100 e o DAX alemão registravam avanços de 0,5%.

Banco da Inglaterra mantém juros, mas sinaliza alta próxima

O Banco da Inglaterra decidiu manter a taxa de juros inalterada nesta quinta-feira, mesmo com a inflação bem acima da meta de 2%, mas alertou que uma alta está cada vez mais provável. O Comitê de Política Monetária votou por 6 a 3 pela manutenção da Bank Rate em 3,75%. Os três votos dissidentes defendiam uma alta de 25 pontos-base, para 4%.

A decisão marca uma divergência em relação a outros bancos centrais importantes. O Federal Reserve anunciou alta de um quarto de ponto na quarta-feira, a primeira desde 2023. Na semana anterior, o Banco Central Europeu havia anunciado sua segunda alta de juros no ano, depois de elevar as taxas em junho pela primeira vez em três anos. O Banco do Japão, por sua vez, era esperado para elevar sua taxa básica ao fim de uma reunião de dois dias marcada para sexta-feira, segundo a CNBC.

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou em comunicado que, "até agora, os custos globais de energia mais altos tiveram efeito limitado na formação de preços e salários no Reino Unido". Ele completou: "mas quanto mais essa volatilidade persistir, maior será o impacto sobre a inflação, e mais provável será que precisemos elevar a Bank Rate para garantir que a inflação volte à nossa meta de 2%".

Juros dos títulos britânicos sobem antes da decisão

Antes do anúncio do Banco da Inglaterra, os rendimentos dos títulos do governo britânico, os chamados gilts, subiam ao longo de toda a curva na manhã de quinta-feira, em meio à expectativa do mercado pela decisão. Às 10h em Londres (5h no horário do leste dos EUA), o rendimento do gilt de referência de 10 anos subia 1 ponto-base, para 5,3147%. O gilt de 2 anos avançava 3 pontos-base, para 4,7973%, enquanto o de 20 anos subia 1 ponto-base, para 5,8163%. Rendimentos e preços de títulos se movem em direções opostas.

Os rendimentos de títulos emitidos por outros governos europeus, incluindo França, Itália e Alemanha, também subiam na manhã de quinta-feira, enquanto os rendimentos dos Treasuries americanos recuavam na esteira da alta de juros do Federal Reserve, segundo a reportagem.

Treasuries pouco alterados após alta do Fed

Já os rendimentos dos títulos do Tesouro americano ficaram praticamente estáveis nesta quinta-feira, depois que o Federal Reserve elevou os juros na noite anterior, em linha com o que era esperado pelo mercado. O rendimento do Treasury de 10 anos, referência para o mercado, estava praticamente inalterado, em 5,002%. O título de 30 anos ficou estável em 5,348%, enquanto o de 2 anos recuou 1 ponto-base, para 4,715%.

O que isso significa para o investidor

O quadro combina duas forças em direções opostas: de um lado, o Fed reafirmou que a inflação segue como prioridade e não descartou nova alta ainda este ano, o que mantém a curva de juros americana sensível a qualquer dado de emprego ou preços; de outro, gestores como os do UBS e da Edwards Asset Management leem a queda pós-decisão como oportunidade, apostando que a clareza sobre a trajetória de juros tende a favorecer a continuidade do rali em ações, desde que o aperto monetário permaneça moderado e os lucros corporativos sustentem o ritmo de crescimento.

Como o AAR já havia mostrado em cobertura anterior sobre o Treasury de 10 anos voltando à casa de 5% após a decisão do Fed e o alerta de Warsh sobre a inflação, esse patamar de juros longos tende a seguir como referência para o custo de capital global — inclusive para ativos brasileiros, que competem por fluxo com a renda fixa americana. Conforme dados do scanner TradingView, às 09h04 BRT desta quinta-feira, o S&P 500 marcava 7.551,81 pontos, com queda de 0,45% no dia, e o Nasdaq operava em 25.978,42 pontos, praticamente estável, com recuo de 0,01% — números que sugerem que a recuperação sinalizada pelos futuros ainda não se traduziu integralmente em ganhos consolidados durante o pregão.

Para quem investe no Brasil, o desenho vale atenção em pelo menos três frentes: a trajetória dos juros americanos, que influencia o câmbio e o custo de captação externa de empresas brasileiras; a divergência entre bancos centrais — com Fed, BCE e possivelmente o Banco do Japão subindo juros, enquanto o Banco da Inglaterra opta pela pausa — que tende a aumentar a volatilidade cambial entre as principais moedas; e os próximos indicadores econômicos americanos, como pedidos de auxílio-desemprego e construção residencial, que servirão de termômetro para saber se o mercado de trabalho e o setor imobiliário dos EUA seguem resilientes ou começam a mostrar os efeitos do aperto monetário.

O recado das casas de gestão citadas pela CNBC é de cautela tática, não de reversão de tese: a recomendação de diversificação setorial e regional, evitando concentração em ativos sensíveis a juros, é compatível com uma postura de quem busca navegar volatilidade de curto prazo sem abrir mão de exposição a renda variável. Investidores brasileiros expostos a ativos internacionais ou a companhias com dívida atrelada a juros externos devem monitorar de perto tanto os próximos dados americanos quanto a decisão do Banco do Japão, ainda pendente, para calibrar risco em carteiras multiativos.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos