A Haruko, provedora britânica de tecnologia para instituições que operam com ativos digitais, foi alvo de um ataque cibernético direcionado nesta semana que afetou 15 clientes, segundo apuração do CoinDesk. O episódio expôs detalhes de acesso somente-leitura a APIs de exchanges e dados de negociação dos clientes atingidos.
De acordo com três pessoas com conhecimento do assunto, alguns clientes de fundos de hedge menores, com controles de segurança mais fracos, podem ter perdido uma pequena quantia de recursos. A empresa afirmou ter corrigido a vulnerabilidade e renovado suas credenciais internas de servidor.
Como o ataque ocorreu
Segundo mensagens do cofundador e diretor de tecnologia da Haruko, Adam Carlile, enviadas a um cliente e vistas pelo CoinDesk, os afetados foram todos os clientes da empresa que não estavam em uma lista de permissões (whitelist) — mecanismo que restringe a comunicação apenas a computadores ou endereços previamente aprovados.
Uma das pessoas ouvidas pelo CoinDesk explicou que a brecha foi possível porque a Haruko utiliza servidores físicos próprios, em vez de serviços de nuvem como os oferecidos por grandes provedores, que costumam contar com camadas adicionais de proteção.
Carlile detalhou aos clientes que o invasor explorou uma falha em um dos processos internos da empresa, extraindo um token de acesso de usuário e utilizando-o para capturar dados armazenados na memória daquele processo — o que pode ter incluído detalhes de API de exchanges em modo somente-leitura, além de outras informações.
As mensagens indicam que as credenciais de login dos próprios clientes não foram comprometidas em seus sistemas; o acesso foi obtido por meio de uma vulnerabilidade na infraestrutura da Haruko. "Este foi um ataque direcionado por um grupo contra nós", disse o CTO, ao descrever a própria Haruko, e não um cliente específico, como o alvo principal. Ele confirmou que "foram 15 clientes impactados".
Empresa nega comprometimento e reforça medidas
A Haruko não respondeu a pedidos repetidos de comentário do CoinDesk. A companhia informou aos clientes que configurar uma lista de permissões de endereços de internet de entrada ofereceria "proteção máxima" e afirmou que planeja publicar um relatório técnico completo sobre o incidente.
A empresa não divulga integralmente sua carteira de clientes, mas seu site cita, entre as instituições que utiliza sua infraestrutura de portfólio, gestão de risco e dados de negociação, empresas de negociação e custódia de ativos digitais, gestoras de fundos e provedores de serviços para o setor cripto.
Duas das companhias mencionadas no site da Haruko se manifestaram sobre o episódio. Um porta-voz de uma delas afirmou que a empresa "não foi impactada por nenhuma violação rumorada". Já um representante de outra firma disse, em comentários enviados por e-mail, que sua operação "não foi afetada por essa violação", destacando que os fundos permanecem seguros e que o acesso via API é restrito por lista de permissões de IP, o que teria evitado exposição ao ambiente comprometido.
As demais companhias citadas no site da Haruko não responderam aos pedidos de comentário até o fechamento da reportagem.
A plataforma da Haruko conecta-se a exchanges centralizadas, custodiantes, blockchains e protocolos de finanças descentralizadas, oferecendo aos clientes uma visão consolidada de posições, transações e exposição a risco. Segundo o site da empresa, ela atende mais de 80 clientes globalmente e se conecta a mais de 100 praças de negociação centralizadas, 30 blockchains e 250 protocolos onchain.
Ataques em alta no setor cripto
O episódio ocorre em um contexto de aumento na frequência de ataques a empresas do setor cripto. Segundo dados da TRM Labs citados pelo CoinDesk, hackers realizaram um número recorde de 207 ataques no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro dos 83 registrados no mesmo período do ano anterior. Os incidentes resultaram em perdas de US$ 972 milhões, segundo a mesma fonte.
A TRM Labs apontou ainda que comprometimentos de infraestrutura e falhas operacionais responderam por cerca de 76% do valor roubado, apesar de representarem apenas 15% dos incidentes registrados. Já a empresa de segurança CertiK, que utiliza uma definição mais ampla, estimou perdas de US$ 1,32 bilhão em 344 incidentes no mesmo período.
Especialistas do setor apontam que golpes desse tipo continuam sendo um desafio estrutural para o mercado cripto porque as transações costumam ser irreversíveis, e as plataformas dependem de credenciais digitais e sistemas de assinatura que, uma vez comprometidos, podem dar acesso direto a ativos dos usuários.
O que isso significa para o investidor
Para investidores expostos a fundos de hedge ou gestoras que operam ativos digitais por meio de provedores de infraestrutura como a Haruko, o episódio reforça um ponto recorrente: a segurança de uma posição em cripto não depende só da exchange ou da gestora, mas também dos fornecedores de tecnologia que operam por trás das cortinas. Falhas em camadas terceirizadas podem gerar perdas mesmo quando o investidor não tem relação direta com a empresa atacada.
O contraste entre as respostas das companhias citadas — algumas negando qualquer impacto e citando controles como listas de permissões de IP — sugere que a robustez de configurações de segurança específicas de cada cliente institucional pode ser determinante para o resultado de um ataque desse tipo, mesmo quando o vetor de exploração está na infraestrutura do provedor, e não no cliente final.
O dado da TRM Labs sobre o crescimento no número de ataques no primeiro semestre de 2026 e a concentração de perdas em comprometimentos de infraestrutura reforça que esse tipo de risco tende a permanecer relevante para quem aloca capital no setor. Vale acompanhar o relatório técnico prometido pela Haruko e possíveis atualizações sobre o volume efetivo de recursos afetados.
No mercado cripto mais amplo, o bitcoin era negociado a US$ 81.093,12 (+6,14% no dia) no scanner da TradingView em 18/09/2026, às 20h17 (horário de Brasília) — movimento que não guarda relação direta com o episódio da Haruko, mas ilustra a volatilidade que já é inerente à classe de ativos, à qual se somam riscos operacionais como o relatado nesta matéria.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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