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Ação da Gemini cai 80% desde o IPO e reaviva especulação sobre venda

Valor de mercado da corretora dos irmãos Winklevoss recua a US$ 753 milhões, chamando atenção para licenças regulatórias e infraestrutura de custódia

Ação da Gemini cai 80% desde o IPO e reaviva especulação sobre venda
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A ação da Gemini Space Station (GEMI) acumula queda de cerca de 80% desde sua estreia na bolsa, segundo reportagem do CoinDesk. O valor de mercado da plataforma cripto, que chegou a bater aproximadamente US$ 4 bilhões no pico, encolheu para US$ 753 milhões, à medida que volume de negociação, receita e ativos na plataforma recuam.

Não há indício de proposta de compra em curso, segundo o CoinDesk, mas as licenças regulatórias da empresa, sua base de clientes e a infraestrutura de custódia poderiam tornar a Gemini um alvo atrativo para uma companhia em busca de porta de entrada regulada no mercado americano.

Cameron e Tyler Winklevoss controlam 94,5% do poder de voto da Gemini, o que, segundo a reportagem, poderia simplificar eventuais negociações — mas também torna qualquer venda dependente essencialmente da aprovação dos dois irmãos.

A tese de aquisição ganha força

Lorenzo Valente, diretor de pesquisa de ativos digitais da ARK Invest, defendeu em publicação na rede X no mês passado que a Hyperliquid, plataforma offshore de negociação de perpétuos, deveria adquirir a Gemini e usá-la como porta de entrada regulada nos EUA para futuros perpétuos e mercados de previsão. Segundo Valente, o controle de voto concentrado dos irmãos Winklevoss poderia simplificar esse tipo de negociação.

O CoinDesk destaca que não há sinal de que a Hyperliquid esteja de fato buscando um acordo para comprar a Gemini, mas a proposta de Valente levanta uma questão mais ampla: qual seria a proposta de valor da Gemini para um comprador, se sua infraestrutura regulatória vale mais do que seu negócio de corretora à vista, que está encolhendo.

Números do negócio em contração

O valor de mercado atual de US$ 753 milhões compara-se a cerca de US$ 4 bilhões no pico da ação. No segundo trimestre, a receita da corretora da Gemini caiu 38% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 12,5 milhões. O volume de negociação à vista recuou 66%, para US$ 3,8 bilhões, enquanto os ativos na plataforma diminuíram de US$ 18,2 bilhões para US$ 8,4 bilhões.

Um investidor de venture capital ouvido pelo CoinDesk afirmou que, com o negócio de corretora encolhendo, a tecnologia central de exchange da Gemini pode oferecer diferenciação limitada em relação a concorrentes.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, a Gemini (por meio de suas subsidiárias) ainda detém licenças e aprovações regulatórias relevantes, que seriam caras e demoradas para concorrentes replicarem organicamente. Potenciais compradores tenderiam a pesar o custo de comprar essas entidades contra o tempo e os honorários legais associados à obtenção dessas aprovações, acrescentou o investidor, que falou sob condição de anonimato por se tratar de assunto privado.

Um padrão mais amplo de fusões e aquisições em cripto

O CoinDesk observa que esse cenário se encaixa em um padrão mais amplo de M&A no setor cripto, em que compradores têm pago cada vez mais por infraestrutura regulatória, distribuição e acesso a mercado, em vez de simplesmente adquirir volume de negociação. Como exemplo, a reportagem cita a Keyrock, firma de serviços de ativos digitais que comprou ativos de trading da BlockFills em julho para agregar licenças regulatórias, expertise em derivativos e clientes institucionais.

Também é mencionado que a empresa de tokenização Ondo vem explorando um negócio avaliado em até US$ 500 milhões, enquanto LMAX e B2C2 igualmente exploraram transações estratégicas, num contexto em que empresas de cripto buscam crescer via aquisições em vez de desenvolver internamente cada licença e produto.

O CoinDesk relembra ainda reportagem própria de abril, segundo a qual potenciais compradores consideravam adquirir as operações já encerradas da Gemini na Europa e no Reino Unido, principalmente por suas licenças regulatórias, em vez de buscar uma aquisição integral da empresa. Segundo o investidor consultado, um acordo desse tipo ainda não se concretizou em razão de visões divergentes sobre avaliação. A Gemini não comentou o assunto quando contatada pelo CoinDesk.

O controle acionário dos irmãos Winklevoss

O CoinDesk destaca que o controle de voto é outro fator central na equação. Como os irmãos Winklevoss detêm efetivamente 94,5% do poder de voto da Gemini, qualquer negociação de venda passaria essencialmente por essas duas pessoas, o que tornaria o processo, em tese, mais simples do ponto de vista de interlocução.

Ao mesmo tempo, essa concentração acionária representa um obstáculo: os irmãos teriam, na prática, que aprovar qualquer venda, o que torna praticamente impossível uma aquisição hostil ou um movimento de acionistas para forçar uma transação sem o consentimento deles.

A reportagem observa que, embora a queda no valor de mercado reflita preocupações com a redução dos volumes de negociação e perdas contínuas, a avaliação reduzida poderia oferecer a um eventual comprador um caminho relativamente barato até as licenças regulatórias, a base de clientes e a infraestrutura de custódia da Gemini. A pergunta que fica, segundo o CoinDesk, é se potenciais compradores conseguiriam convencer os irmãos a vender.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o setor cripto listado em bolsa, o caso Gemini ilustra um ponto relevante: o valor de mercado de uma corretora regulada pode divergir cada vez mais da trajetória de seu negócio operacional. A queda de 80% na ação desde o IPO reflete a contração de receita, volume e ativos sob custódia, mas a tese especulativa em torno de uma possível venda está ancorada em ativos intangíveis — licenças, aprovações regulatórias e relacionamento com clientes — que não aparecem diretamente nos números trimestrais.

Investidores que avaliam posições em empresas cripto listadas devem observar que a concentração de poder de voto, como a dos irmãos Winklevoss na Gemini, pode ser tanto um facilitador quanto uma barreira para eventos corporativos. Uma eventual oferta de aquisição dependeria essencialmente da disposição dos controladores, e não de pressão de mercado ou de acionistas minoritários — o que reduz a previsibilidade de qualquer cenário de consolidação no setor.

Vale também acompanhar se o padrão de fusões e aquisições citado pelo CoinDesk — envolvendo Keyrock, Ondo, LMAX e B2C2 — se intensifica, o que sinalizaria uma fase de consolidação regulatória no mercado cripto americano e global. Para o investidor de perfil mais especulativo, o desfecho do caso Gemini pode servir como termômetro de quanto o mercado está dispondo a pagar por acesso regulado, independentemente do desempenho operacional imediato da plataforma.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos