As bolsas americanas encerraram a sessão de sexta-feira em alta, coroando uma semana de forte oscilação em que o avanço acentuado dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos contaminou o humor dos mercados financeiros, segundo reportagem da CNBC.
O S&P 500 subiu 0,51%, a 7.743,41 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançou 0,5%, para 27.068,72 pontos. O Dow Jones Industrial Average teve o melhor desempenho relativo do dia, com ganho de 478,64 pontos, ou 0,93%, fechando em 51.828,62 pontos.
Entre os destaques individuais da sessão, as ações da Akamai Technologies subiram 3% depois que a empresa anunciou um acordo plurianual com a Anthropic, movimento que animou investidores do setor de tecnologia.
O clima também foi favorecido pela queda dos preços do petróleo, em meio a expectativas de que o Estreito de Hormuz possa voltar a operar normalmente, já que o Irã pediu aos Estados Unidos que retomem o memorando de entendimento firmado em junho — acordo que, até então, não havia conseguido encerrar o conflito no Oriente Médio. Os futuros do West Texas Intermediate recuaram 2,33%, fechando a US$ 92,41 o barril, enquanto o Brent, referência internacional, caiu 2,14%, para US$ 104,32 o barril.
Balanço da semana: ganhos generalizados, puxados pela tecnologia
Com o avanço de sexta-feira, o Dow encerrou a semana com alta de 0,3%. O S&P 500 somou ganho semanal de 1,2%, enquanto o Nasdaq liderou, com valorização de 2% no período.
O impulso veio principalmente das ações de tecnologia, com destaque para a Meta Platforms, que disparou quase 13% na semana em meio ao entusiasmo do mercado com seu agente de inteligência artificial, batizado de Muse. O setor de tecnologia da informação avançou 3,1% no período, o melhor desempenho entre todos os setores do S&P 500.
Juros dos Treasuries atingem os maiores patamares em quase duas décadas
O drama nos mercados de renda fixa persistiu ao longo da semana: o rendimento da Treasury de 10 anos subiu ao maior nível desde 2007, enquanto o título de 30 anos alcançou o patamar mais alto desde 2004. Na última leitura, as duas taxas estavam em 5,163% e 5,488%, respectivamente, com leve alta.
Segundo a CNBC, a escalada dos juros na semana foi impulsionada por declarações de tom mais duro do governador do Federal Reserve, Michael Barr, pelos preços de energia persistentemente elevados em razão da guerra envolvendo o Irã, e por um relatório de gerentes de compras (PMI) mais aquecido do que o esperado. Os contratos futuros de fed funds precificam uma probabilidade de aproximadamente 64% de uma alta de juros em outubro, segundo a ferramenta CME FedWatch.
Eric Diton, presidente da gestora The Wealth Alliance, afirmou que o sentimento dos investidores vem se deteriorando à medida que os rendimentos dos títulos sobem, com um aumento que classificou como acentuado no pessimismo em relação a apenas duas semanas atrás. Ainda assim, ele avaliou que o mercado tem se mostrado muito resiliente diante desses desenvolvimentos, com S&P 500 e Nasdaq operando cerca de 1% abaixo de suas máximas recentes.
"Caso os juros continuem subindo, em algum momento futuro eles devem ter um impacto maior sobre o desempenho do mercado", ponderou Diton, segundo a CNBC.
Negociações comerciais entre EUA e China seguem no radar
Investidores também acompanharam de perto a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos ao longo da semana. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC na sexta-feira que muito mais detalhes sobre as negociações entre os dois países devem ser divulgados na segunda-feira.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, já havia informado, no início da semana, que os dois países concordaram em estender por dois meses a trégua comercial em vigor.
Alertas do mercado de títulos preocupam Wall Street
A própria CNBC destacou que Wall Street ainda não chegou a um consenso sobre o que está por trás da disparada nos rendimentos dos títulos — se inflação persistente, crescimento econômico acelerado ou o crescimento do déficit fiscal americano. Independentemente da causa, a percepção de que juros mais altos vieram para ficar tem deixado investidores apreensivos com o risco de que, em algum momento, algo no sistema financeiro venha a quebrar.
Loop Capital mantém compra para Wendy's, mas reduz preço-alvo
A Loop Capital manteve a recomendação de compra para as ações da rede de fast food Wendy's, mas reduziu o preço-alvo diante da continuidade de vendas fracas. Em nota de sexta-feira, o diretor administrativo Alton Stump cortou o preço-alvo de US$ 13 para US$ 11, o que ainda implica um potencial de valorização de 69% em relação ao fechamento de US$ 6,51 registrado na quinta-feira.
Stump apontou que, apesar de uma queda nas vendas em mesmas lojas mais acentuada do que o esperado, entre 7% e 7,5% no trimestre, seus contatos no setor se mostraram encorajados pelas mudanças promovidas pela nova diretoria da companhia, incluindo a disposição do CEO Bob Wright em reconhecer publicamente os desafios recentes da rede, e o histórico do CFO Steve Cirulis, que já havia ajudado a recuperar a rede de sanduíches Potbelly ao lado de Wright.
Segundo o analista, os franqueados seguem otimistas com uma reformulação de cardápio prevista para outubro, mesmo após promoções anteriores no ano não terem gerado impacto relevante nas vendas. A nota da Loop Capital menciona que a companhia planeja lançar em outubro uma nova estrutura de valor permanente, que substituirá a atual plataforma Biggie Bags, e que os contatos da casa de análise confiam que essa transformação será mais atraente para os consumidores.
A Wendy's atravessa um ano turbulento: a franqueada Meritage Hospitality pediu recuperação judicial (Chapter 11) na semana anterior, e a rede passou por uma série de mudanças na liderança em meio à perda de espaço para concorrentes como McDonald's e Burger King. As ações acumulam queda de quase 21% no ano.
Exportações de petróleo da Arábia Saudita atingem maior nível desde o início da guerra com o Irã
Dados da consultoria de inteligência comercial Kpler, citados pela CNBC, mostram que as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita dispararam neste mês, apesar da escalada nos confrontos com militantes apoiados pelo Irã. Riade está exportando 6 milhões de barris por dia em setembro, o maior volume desde o início da guerra com o Irã, há cerca de sete meses, recuperando a média mensal registrada em 2025.
O avanço ocorre mesmo após o fechamento, neste mês, do oleoduto crítico Leste-Oeste, danificado em um ataque de drones lançado a partir do Iraque. Os embarques de petróleo bruto em setembro cresceram cerca de 80% em relação aos 3,4 milhões de barris por dia exportados em agosto.
Movimentos individuais: Genius Sports, Twilio e People Inc
Entre as ações com maior variação no pregão, a Genius Sports saltou 13% depois que o JPMorgan iniciou cobertura do papel com recomendação overweight, destacando a combinação rara de crescimento diversificado acima da média do mercado, boa execução, melhora de lucratividade e fluxo de caixa livre, além de avaliação atrativa.
Já a Twilio, provedora de plataforma em nuvem voltada a marketing, recuou cerca de 6% depois que o HSBC rebaixou a recomendação para equivalente a venda. O analista Sameer Lam escreveu que mantém um prêmio pela opcionalidade da Twilio em inteligência artificial, mas vê uma relação risco-retorno negativa após a recente alta das ações, que considera caras frente a alternativas de melhor qualidade, como Microsoft e Salesforce.
A People Inc, companhia de Barry Diller que também controla as revistas Food & Wine e Southern Living, viu suas ações saltarem 10% depois que o Wall Street Journal, citando pessoas a par do assunto, informou na quinta-feira à noite que a MGM Resorts avalia uma oferta para comprar a editora. A notícia veio após a People retirar sua proposta para adquirir a operadora de cassinos. As ações da MGM, por sua vez, operavam com queda de 2%.
Seaport mantém cautela com Nvidia e Broadcom
A casa de análise Seaport disse enxergar pouco espaço de valorização para a Nvidia, fabricante dominante de GPUs, citando restrições de capacidade e concorrência crescente no setor. Em nota de quinta-feira, o analista Jay Goldberg escreveu que a companhia não tem um caminho fácil para surpreender positivamente, limitada pela capacidade da TSMC e pela lei dos grandes números, e que o tempo não está a favor da Nvidia diante da concorrência crescente, ao ponto de a empresa passar a depender fortemente de seu balanço patrimonial e do agrupamento de produtos para sustentar seus números.
Goldberg também se mostrou cético em relação à Broadcom, principal rival da Nvidia, que segundo ele enfrenta restrições semelhantes, embora reconheça que a companhia ainda possa surpreender caso feche um novo cliente de chip customizado (ASIC).
Juros de 10 anos renovam máxima intradiária na sexta-feira
O rendimento do título do Tesouro de 10 anos chegou a 5,230% na sexta-feira, superando brevemente a máxima intradiária de quinta-feira, de 5,225%, antes de recuar para 5,211% por volta das 11h30, horário de Nova York.
O que isso significa para o investidor
Segundo o scanner da TradingView, em 26/09/2026 às 10h45 BRT, o S&P 500 era cotado a 7.743,41 pontos, alta de 0,51% no dia, e o Nasdaq a 27.068,72 pontos, alta de 0,48%, números que confirmam o fechamento positivo relatado pela CNBC. Para quem investe a partir do Brasil, o dado mais relevante da semana não é o fechamento em alta das bolsas americanas, mas a combinação entre índices de ações próximos de máximas e juros longos nos patamares mais altos em quase duas décadas — um descompasso que tende a testar a resiliência do mercado à medida que o custo de capital sobe.
A avaliação de Eric Diton, de que o mercado tem se mostrado resiliente mesmo com o aumento do pessimismo entre investidores, sugere que a reação dos preços ainda não reflete integralmente o novo patamar de juros nos EUA. Isso significa que qualquer sinalização adicional de aperto monetário — como a probabilidade de 64% de alta de juros em outubro precificada pelo mercado de futuros — pode se tornar o gatilho para uma correção mais abrupta em ativos de risco, incluindo os que têm exposição a mercados emergentes.
Vale acompanhar também o desfecho das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, com detalhes prometidos para a próxima segunda-feira, e a evolução do conflito envolvendo o Irã, que tem impacto direto sobre os preços do petróleo e, por consequência, sobre a inflação global. Para investidores brasileiros com posições em ativos dolarizados, commodities ou fundos globais, o monitoramento da curva de juros americana e do desenrolar da tensão no Oriente Médio segue sendo tão relevante quanto o desempenho pontual das bolsas.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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