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Vitórias democratas nos EUA ameaçam frear boom bilionário de data centers

Resultados eleitorais no Texas e em outros estados podem reduzir o ritmo dos investimentos em infraestrutura de IA, motor relevante do crescimento americano, segundo a CNN

People protest against data center development outside the Austin Marriott Downtown on September 2, 2026.
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Uma virada eleitoral no Texas, combinada a vitórias expressivas do Partido Democrata em outros estados americanos, pode frear o maior ciclo de investimentos em infraestrutura já registrado na história dos Estados Unidos, segundo reportagem da CNN. O resultado das urnas ameaça justamente o motor que vem sustentando boa parte do crescimento econômico do país nos últimos trimestres.

A partir de janeiro, estados sob controle de governadores democratas favoráveis à manutenção ou ampliação de moratórias à construção de data centers de inteligência artificial responderão por 45% da capacidade de data centers planejada nos Estados Unidos, segundo estimativa do Goldman Sachs citada pela CNN. Só o Texas concentra um quarto de todo o plano de expansão da infraestrutura de IA do país.

Isso não significa que metade dos projetos esteja paralisada: a demanda por IA segue em alta, Donald Trump continua na Presidência e já sinalizou disposição de usar seu poder de veto, e governadores democratas não têm como barrar sozinhos cada empreendimento. Ainda assim, a CNN descreve o resultado da eleição de terça-feira como uma mudança de paradigma capaz de alterar o ritmo e o caminho dessa onda de gastos em IA — um ciclo de investimentos que, segundo economistas do ING citados na reportagem, respondeu por até um quarto de todo o crescimento econômico americano neste ano.

Os benefícios econômicos já são concretos, sustentando milhares de empregos, e a tecnologia tem potencial para transformar o modo como o país trabalha. Mas a CNN pondera que uma desaceleração na construção de data centers também pode trazer efeitos positivos: conter um crescimento desenfreado que contribuiu para a retomada da inflação, reduzir a rejeição pública à tecnologia e aos data centers, e frear modelos de negócio questionáveis que já geram ceticismo em Wall Street. Pisar no freio, segundo a reportagem, poderia colocar tanto a IA quanto a economia americana em uma trajetória mais sustentável.

Um ciclo de investimento sem precedentes

Os gastos com infraestrutura de IA devem se aproximar de US$ 1 trilhão por ano, de forma recorrente, segundo o economista Stijn Van Nieuwerburgh, da Columbia Business School, citado pela CNN. Como proporção do Produto Interno Bruto americano, esse volume superaria qualquer outro boom de investimento da história econômica moderna do país — incluindo a construção das ferrovias.

O resultado da eleição de terça-feira pode desacelerar esse fluxo de capital, com consequências relevantes para os milhares de empregos e para o desenvolvimento econômico associado aos projetos de data center, segundo a reportagem.

Texas no centro da disputa

Os democratas conquistaram governos estaduais em Nevada, Geórgia, Ohio e Texas, com candidatos que fizeram campanha prometendo regras mais rígidas para data centers. Entre as propostas dos governadores eleitos estão o fim de incentivos fiscais, o endurecimento de restrições climáticas e elétricas, e a permissão para que governos locais imponham suas próprias moratórias à construção desses empreendimentos.

O Texas é apontado pela CNN como o caso mais sensível do ponto de vista econômico. Segundo estimativa do Wells Fargo citada na reportagem, cada redução de 10% na capacidade de data centers planejada no estado levaria as grandes empresas de tecnologia a reduzir seus investimentos em infraestrutura de IA em 1,6% — uma fatia expressiva quando os valores envolvidos são medidos em trilhões de dólares.

Mona Dajani, copresidente da prática de infraestrutura, energia e imóveis do escritório Cooley, afirmou à CNN que políticos estaduais e municipais têm jurisdição e influência suficientes para alterar se alguns projetos conseguirão ou não financiamento.

Centenas de empreendimentos de data center que ainda aguardam licenças, serviço de utilidade pública ou incentivos fiscais estão particularmente expostos, segundo Dajani. Mesmo projetos já em construção podem ser afetados: a legislação texana protege algumas licenças já concedidas contra mudanças futuras nas exigências locais, mas isso não resolve eventuais alterações nas regras estaduais de licenciamento nem nas garantias de fornecimento elétrico que a governadora eleita Gina Hinojosa poderia revogar, segundo a reportagem.

A espera por aprovações pode encarecer significativamente os projetos, afirmou Dajani à CNN: juros, compromissos com equipamentos e despesas com serviços públicos continuam se acumulando mesmo enquanto um projeto fica paralisado. Em algum momento, projetos já existentes podem deixar de ser financeiramente viáveis — o que comprometeria a capacidade das empresas de IA, que já enfrentam dificuldade para construir data centers no ritmo necessário para atender à demanda esperada, de cumprir suas metas de investimento.

"Este é um caso raro em que líderes estaduais e municipais têm influência de peso geopolítico", disse à CNN Harry Krejsa, diretor de estudos do Carnegie Mellon Institute for Strategy & Technology.

Um tema que atravessa partidos

A questão dos data centers não é exclusivamente democrata, segundo a CNN: os americanos têm mostrado consenso bipartidário em torno da necessidade de impor limites à expansão desses empreendimentos. O próprio governador republicano do Texas, Greg Abbott, já havia imposto uma moratória que Hinojosa fez campanha para prorrogar até que o Legislativo estabeleça regras mais rígidas para a IA.

Trump, por sua vez, tem criticado tentativas de conter o crescimento e os investimentos em IA, citando motivos econômicos e de segurança nacional, especialmente diante da disputa com a China. Segundo a CNN, muitos políticos republicanos que poderiam apoiar regulações sobre IA, incluindo normas para construção de data centers, preferiram permanecer em silêncio.

Sinais de um modelo insustentável

A reportagem aponta evidências de que o ritmo de expansão da infraestrutura de IA já caminhava por um caminho pouco sustentável. Os Estados Unidos tinham 5.427 data centers no fim do ano passado, segundo o AI Index Report da Universidade Stanford, enquanto empresas de IA anunciaram planos para mais 3.969 novos data centers no país, de acordo com a consultoria de pesquisa Aterio. Apenas cerca de 800 estão efetivamente em construção, e especialistas em IA já levantaram dúvidas sobre a viabilidade de muitos dos projetos anunciados.

A CNN cita o caso da CoreWeave, empresa de neocloud que aluga capacidade computacional, como exemplo das fragilidades do setor: a companhia projetou perdas tão expressivas que o rendimento de seus títulos de dívida saltou para 15%, patamar considerado de risco, especialmente porque o retorno esperado sobre o investimento era de apenas cerca de 9%. Na prática, a empresa perde dinheiro em cada dólar gasto para expandir sua capacidade de data centers.

As gigantes de tecnologia com caixa robusto — Amazon, Google, Meta e Microsoft — não enfrentam esse mesmo problema, mas suas ações têm sido penalizadas nas últimas semanas, à medida que investidores perdem a paciência com o que consideram um volume de gastos insustentável, sem perspectiva de retorno em lucro por anos, segundo a reportagem.

Desaceleração, não recessão

Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM US, disse à CNN que "a IA está ganhando um respiro" com o resultado eleitoral. Ele projeta que o crescimento econômico americano desacelere do ritmo de 3,4% registrado no último trimestre para algo próximo de 2,4% caso ocorra uma desaceleração nos investimentos em IA — patamar que, segundo ele, ainda representa um crescimento sólido no longo prazo, já que a economia americana é ampla e diversificada e os recursos que iriam para data centers podem ser direcionados a outros setores.

"Está desacelerando, mas isso não significa que teremos uma recessão", afirmou Brusuelas à CNN.

Uma chance de reorganização

A desaceleração também abre espaço para que as empresas de IA planejem de forma mais criteriosa seus próximos ciclos de expansão de data centers, colocando o setor em uma trajetória mais sustentável, segundo a reportagem. A abordagem acelerada e pouco coordenada adotada até aqui já resultou em volumes significativos de recursos desperdiçados em projetos inviáveis, reflexo da disputa para ser o primeiro e o maior do mercado. Segundo Mike Mathews, líder global da prática de infraestrutura digital da consultoria de risco Marsh, os data centers já enfrentam US$ 200 bilhões em atrasos de projetos.

Uma abordagem mais racional e atenta ao ambiente político local poderia gerar benefícios de mais longo prazo tanto para as comunidades que recebem esses empreendimentos quanto para as próprias empresas de IA, segundo a CNN. Há precedente para isso: na década anterior, companhias como o Google construíram data centers para a revolução da computação em nuvem destacando o uso de energia renovável, mesmo antes de essa opção ser economicamente vantajosa — uma estratégia baseada em engajamento comunitário que ajudou a garantir legitimidade política e social para operar essas instalações a longo prazo.

"Como diz o ditado: se você quer ir rápido, vá sozinho; se quer ir longe, vá acompanhado", disse Krejsa à CNN. "Se você desperdiça a licença política para operar no seu próprio país, isso se torna um obstáculo maior para seguir competitivo com a China."

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o mercado americano de tecnologia a partir do Brasil, o episódio eleitoral descrito pela CNN reforça um ponto que já vinha ganhando força: o ciclo de investimentos em IA, embora ainda robusto, não é imune a riscos políticos e regulatórios locais, especialmente em estados-chave como o Texas, responsável por um quarto da capacidade planejada do país. Isso é relevante porque fundos e ativos brasileiros expostos a big techs americanas e a fornecedores da cadeia de IA tendem a sentir qualquer reprecificação desse risco.

O contraste com a cobertura recente da AAR News ajuda a dimensionar o momento do setor: em 4 de novembro de 2026, a CNBC noticiou que a AMD disparou 8% após lucro superar projeções, com receita de data center avançando 45% no terceiro trimestre e a empresa elevando suas projeções diante da expansão da demanda por IA. Esse tipo de resultado mostra que a demanda pela infraestrutura segue aquecida — o que torna ainda mais relevante o alerta da CNN de que o gargalo, daqui para frente, pode não ser a demanda, mas sim a capacidade de executar projetos em meio a mudanças regulatórias estaduais e locais.

Para o investidor, o cenário pede atenção a dois movimentos simultâneos: de um lado, hyperscalers com caixa forte (Amazon, Google, Meta, Microsoft) tendem a absorver melhor eventuais atrasos regulatórios, mesmo com ações pressionadas no curto prazo; de outro, empresas de neocloud mais alavancadas e dependentes de retorno rápido, como o caso citado da CoreWeave, ficam mais vulneráveis a qualquer desaceleração no ritmo de novos contratos e financiamentos. Acompanhar decisões de governadores recém-eleitos em estados como Texas, Geórgia, Nevada e Ohio, bem como a reação da Casa Branca a eventuais moratórias, deve ser parte do radar de quem investe no tema de infraestrutura de IA nos próximos meses.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos