As bolsas americanas fecharam a segunda-feira em alta, impulsionadas por uma forte recuperação de ações ligadas à inteligência artificial, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos Treasuries recuavam. O movimento marcou uma tentativa de Wall Street de se recuperar de uma semana majoritariamente negativa, segundo reportagem da CNBC.
O S&P 500 avançou 1,5%, enquanto o Nasdaq Composite subiu 2,3%, caminhando para seu primeiro fechamento em recorde desde junho. O Dow Jones Industrial Average somou 388 pontos, ou 0,8%. O impulso mais amplo do mercado veio do desempenho de papéis de tecnologia associados à inteligência artificial: as ações da Intel saltaram 11%, as da Advanced Micro Devices subiram 8% — atingindo US$ 1 trilhão em valor de mercado —, e as da Qualcomm também avançaram 8%, de acordo com a CNBC.
Na semana anterior, o Dow havia recuado 1,7%, seu pior desempenho desde março. O S&P 500 caiu cerca de 0,1% no período, enquanto apenas o Nasdaq, com peso maior em tecnologia, registrou ganho de 0,7%, segundo os dados citados pela emissora.
Petróleo e juros recuam em meio a tensões no Oriente Médio
A alta desta segunda-feira também foi favorecida por uma queda de 4% no petróleo bruto dos EUA, que ficou acima de US$ 95 o barril. O Brent, referência internacional, caiu 3%, permanecendo acima de US$ 100 o barril, conforme a CNBC.
Essas movimentações ocorreram após uma nova escalada de hostilidades no Oriente Médio durante o fim de semana. Segundo a reportagem, os houthis apoiados pelo Irã afirmaram ter atacado a Arábia Saudita com míseis e drones no sábado. Ainda no mesmo dia, o Departamento de Estado dos EUA alertou americanos a reconsiderarem viagens à região, em meio à troca de ameaças entre Estados Unidos e Irã sobre a retomada de ataques.
Ainda assim, a via diplomática entre os dois países pode continuar aberta no curto prazo: o presidente Donald Trump disse à Fox News que provavelmente estaria aberto a se reunir com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian durante a Assembleia Geral da ONU nesta semana, segundo a CNBC.
Os rendimentos dos Treasuries recuaram na mesma direção do petróleo. O yield da nota de 10 anos caiu mais de 2 pontos-base, para 4,972%, movimento acompanhado pelo título de 30 anos, que recuou para 5,305%, de acordo com os dados citados pela reportagem.
Fed elevou juros na semana passada e analistas veem risco inflacionário
Em meio à dificuldade dos EUA em conter a inflação persistente e os rendimentos elevados dos bônus, o Federal Reserve elevou as taxas de juros na semana passada pela primeira vez em três anos, segundo a CNBC.
Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, escreveu em nota nesta segunda-feira que preços de energia mais altos por mais tempo reforçam o argumento para um aperto monetário adicional. Ele apontou que os riscos à oferta "não estão desaparecendo", citando que o conflito no Oriente Médio "continua a ameaçar a produção de petróleo e o transporte marítimo, enquanto ataques ucranianos a refinarias russas e sanções à Rússia restringem ainda mais o fornecimento global de combustível".
Segundo Yardeni, "quanto mais tempo esse choque energético persistir, maior o risco de efeitos inflacionários de segunda rodada", de acordo com a citação reproduzida pela CNBC.
A reportagem também destaca que essa dinâmica pode elevar a importância de uma cúpula entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping nesta semana, que deve tratar de inteligência artificial, tarifas e minerais críticos, entre outros temas econômicos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, se reuniu com o vice-premiê chinês He Lifeng antes da visita.
Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial, escreveu que o mesmo conflito geopolítico que infla os preços de energia é também o que mantém o Federal Reserve em postura mais dura e o que pressiona as refinarias chinesas. Segundo ele, o comitê presidido por Kevin Warsh "condicionou suas perspectivas de inflação à estabilização dos mercados de petróleo", e o cálculo fiscal de Pequim passa pela mesma variável, conforme reproduzido pela CNBC.
Fator sazonal e histórico pós-eleições de meio de mandato
Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA, comentou que o velho ditado de mercado sobre vender em Rosh Hashaná e comprar em Yom Kippur ilustra o suporte sazonal que as ações vêm recebendo — nesta segunda-feira, dia de Yom Kippur, os principais índices subiram de forma generalizada, segundo a CNBC.
Em entrevista ao programa "The Exchange" da CNBC, Stovall disse que o quadro técnico também parece favorável: "Técnicos sentem que podemos estar no processo de confirmar um rompimento de bandeira de alta, e por isso, agora... acho que os investidores estão rotacionando, tentando se posicionar entre setores e observando de perto os gráficos".
O estrategista reconheceu que a possibilidade de um novo ciclo de aumento de juros pode gerar mais volatilidade adiante, mas destacou que o histórico do período pós-eleições de meio de mandato costuma ser positivo. Segundo ele, considerando dados desde a Segunda Guerra Mundial, o S&P 500 registrou retorno total superior a 20% em média nos 12 meses seguintes a anos de eleições de meio de mandato, de acordo com a CNBC.
Nasdaq perto de recorde e Meta com melhor dia em mais de um ano
O Nasdaq Composite caminhava para seu primeiro fechamento em recorde desde 2 de junho. Segundo a CNBC, por volta das 14h46 (horário local), o índice era negociado acima de 27.100 pontos, superando o recorde de fechamento anterior de 27.093,90. A alta de 2,2% seria a maior desde o avanço de quase 2,6% registrado em 4 de agosto.
As ações da Meta Platforms subiam quase 12% na negociação da tarde, caminhando para seu melhor dia em mais de um ano. Caso o desempenho se mantivesse até o fechamento, a companhia registraria seu melhor pregão desde 9 de abril de 2025, quando o papel avançou 14,76%, segundo a reportagem.
Movimentos individuais: HP, energia e Arhaus
As ações da HP caíram mais de 3% depois que a fabricante de computadores não forneceu detalhes sobre suas projeções para o ano fiscal. Em documento enviado à Securities and Exchange Commission, a HP afirmou que ainda está em período de planejamento para o ano fiscal de 2027, com premissa preliminar de que os volumes de unidades de PC no setor caiam em dígito médio único, em termos percentuais, no ano-calendário de 2027 em comparação com 2026, segundo a CNBC.
As ações do setor de energia recuaram no início da semana, acompanhando a queda das commodities. Os futuros do West Texas Intermediate para entrega em outubro caíram mais de 5%, no que seria o pior dia em mais de um mês. O ETF State Street Energy Select Sector SPDR (XLE) perdeu 2%, enquanto ConocoPhillips, Exxon Mobil e Occidental Petroleum recuaram cerca de 3% cada, conforme a reportagem.
Já as ações da Arhaus, marca de móveis para o lar, saltaram quase 12% depois que o banco Jefferies elevou a recomendação do papel de manutenção para compra. O analista Jonathan Matuszewski afirmou ter um "novo otimismo" quanto à estratégia da empresa para aumentar o reconhecimento da marca, segundo a CNBC.
Acordo EUA-Groenlândia impulsiona Critical Metals Corp.
As ações da mineradora Critical Metals Corp. dispararam após declarações do presidente Donald Trump na sexta-feira de que os EUA firmaram um acordo com a Dinamarca sobre o status de segurança da Groenlândia e que estabeleceriam presença militar na ilha. Segundo a CNBC, os papéis da mineradora de elementos de terras raras subiam 37% na negociação do meio-dia de segunda-feira.
Trump afirmou, na sexta-feira, em sua rede social Truth Social, que os EUA "começarão imediatamente o processo de desenvolver uma grande presença Militar na parte apropriada da Groenlândia, das quais existem muitas", segundo trecho reproduzido pela reportagem.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse no sábado que as tensões sobre o status territorial da ilha do Atlântico Norte, que oscilaram em diferentes momentos da segunda administração Trump, podem estar perto de se resolver. Após múltiplas ameaças de Trump de anexar a Groenlândia nos últimos meses, a Dinamarca e outros países europeus enviaram tropas ao território em janeiro, como parte de um exercício de segurança.
Segundo a agência Reuters, citada pela CNBC, Rasmussen declarou que "um período de incerteza dará lugar, espera-se, a um acordo vinculante que fortaleça a segurança no Ártico e no Atlântico Norte".
Acordo em disputa sobre fusão Paramount Skydance-Warner Bros. Discovery
A Bloomberg informou nesta segunda-feira que um acordo foi alcançado entre a Paramount Skydance e os estados que processavam a empresa para bloquear seus planos de aquisição da Warner Bros. Discovery, segundo reportagem da CNBC. Quatro estados que resistiam ao acordo — Massachusetts, Nova York, Connecticut e Minnesota — trabalharam durante o fim de semana para chegar a um entendimento, que havia sido inicialmente delineado com a Califórnia, de acordo com a Bloomberg.
O que isso significa para o investidor
O movimento desta segunda-feira reforça um padrão que a cobertura do AAR News já vinha registrando: o mercado americano tem alternado sessões de forte queda e forte recuperação desde a decisão do Federal Reserve de elevar juros na semana passada, com petróleo e yields como principais vetores de humor. Segundo o scanner da TradingView, em 21/09/2026 às 16h59 (BRT), o S&P 500 operava em 7.772,15 pontos, alta de 1,59% no dia, enquanto o Nasdaq marcava 27.161,02 pontos, avanço de 2,41% — números que confirmam a força do rali liderado por tecnologia relatado pela CNBC.
Para o investidor brasileiro exposto a ativos globais, o quadro sugere atenção redobrada à volatilidade de curto prazo: a alta de segunda-feira ocorre após uma semana de perdas no Dow e vem em meio a um conflito geopolítico ativo no Oriente Médio, que já provocou oscilações abruptas no petróleo e nos Treasuries. A fala de Ed Yardeni sobre o risco de efeitos inflacionários de segunda rodada, caso o choque energético persista, é um ponto a monitorar de perto, já que pode condicionar novos movimentos do Fed.
Também merece acompanhamento a concentração dos ganhos em nomes específicos de tecnologia e semicondutores — Intel, AMD e Meta, entre outros —, um padrão que a cobertura anterior do AAR já havia identificado como uma divergência crescente sob a superfície do índice. Investidores que buscam diversificação devem observar se essa força se estende a outros setores ou permanece concentrada em poucos papéis, além de acompanhar os desdobramentos da cúpula entre Trump e Xi Jinping esta semana, que pode influenciar tarifas, minerais críticos e o próprio apetite por risco em ativos ligados à China.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
