A Google firmou um acordo para garantir as obrigações financeiras da Anthropic em um contrato de arrendamento de 20 anos, avaliado em US$ 19 bilhões, referente a 401 megawatts de capacidade computacional no campus da TeraWulf em Kentucky. A informação consta de um documento divulgado pela mineradora de bitcoin nesta quarta-feira.
O arranjo foi desenhado para ajudar a TeraWulf a obter financiamento para o empreendimento, que deve começar a entregar capacidade no final de 2027, com as entregas seguindo até o segundo trimestre de 2028, conforme a empresa amplia sua atuação em infraestrutura para inteligência artificial.
Como funciona a garantia da Google
Caso a Anthropic deixe de pagar o aluguel ou entre em processo de insolvência, a Google tem a opção de assumir diretamente o papel de inquilina e tomar para si o contrato de arrendamento. Além disso, sob determinadas condições, a empresa pode optar por pagar uma multa rescisória e, em troca, receber uma participação acionária na Raylan Data, a subsidiária da TeraWulf responsável por operar o projeto.
O tamanho dessa eventual fatia depende do valor pago pela Google, já que o contrato divide o montante da multa rescisória pelo custo total de desenvolvimento e construção da instalação — incluindo terreno, infraestrutura, equipamentos e financiamento. Um pagamento equivalente a 30% do custo total do projeto, por exemplo, resultaria em uma participação de 30% na subsidiária.
O documento também estabelece que, nos primeiros seis anos após a garantia entrar em vigor, a Google geralmente é obrigada a assumir o arrendamento em vez de simplesmente encerrá-lo. A exceção ocorre se os pods de TPU — os chips próprios de IA da Google instalados nas salas — utilizarem menos da metade da energia reservada para o inquilino.
As obrigações da Google deixam de valer se a Anthropic, ou uma controladora ou subsidiária da empresa, obtiver classificação de crédito em grau de investimento por pelo menos três meses consecutivos.
Cronograma e contexto do negócio
Segundo o documento, os acordos foram assinados em 4 de novembro, mas o suporte da Google para cada uma das três seções arrendadas só passa a valer quando a última sala de dados daquela seção for entregue. A TeraWulf projeta que as entregas se estendam até o segundo trimestre de 2028.
A TeraWulf construiu seu negócio originalmente em torno da mineração de bitcoin, mas tem direcionado cada vez mais sua operação para o fornecimento de energia e infraestrutura a empresas de inteligência artificial. O acordo com a Anthropic figura entre os maiores contratos dessa transição.
Vale destacar que qualquer participação eventualmente obtida pela Google seria na subsidiária do projeto, e não nas ações da TeraWulf negociadas publicamente em bolsa.
O que isso significa para o investidor
O desenho contratual revela como gigantes de tecnologia estão dispostas a assumir risco de crédito de clientes de IA para viabilizar a expansão acelerada de data centers — um movimento que, para investidores em infraestrutura digital, sinaliza tanto a magnitude dos compromissos financeiros envolvidos quanto a necessidade de blindagem para projetos bilionários de longo prazo.
Para quem acompanha a TeraWulf, a estrutura é relevante por delimitar riscos: eventual inadimplência da Anthropic não ameaça diretamente as ações da mineradora, já que a exposição da Google recai sobre a subsidiária do projeto, não sobre a empresa-mãe listada em bolsa. Ainda assim, o episódio ilustra como mineradoras de bitcoin têm buscado diversificar receita por meio de contratos de infraestrutura para IA, caminho que já apareceu em outras coberturas do AAR News sobre o setor.
Vale notar que o ambiente para esse tipo de expansão não é isento de riscos políticos e regulatórios: a cobertura do AAR News já registrou como resultados eleitorais, a exemplo do pleito no Texas, podem travar projetos de energia e construção ligados a data centers de mineradoras, levando a cortes de preços-alvo por parte de analistas como o Bernstein. Já o desempenho recente de empresas como a AMD, que reportou forte expansão de receita em data centers, reforça que a demanda por infraestrutura de IA segue aquecida — um pano de fundo que ajuda a explicar por que a Google aceitou esse nível de exposição contratual.
Por fim, o movimento ocorre em meio a um cenário de maior volatilidade para ativos ligados a criptomoedas: o bitcoin era cotado a US$ 75.950,76 às 18h17 (horário de Brasília) de 5 de novembro de 2026, com queda de 5,52% no dia, segundo o scanner da TradingView. Para investidores expostos a mineradoras que migram para infraestrutura de IA, vale acompanhar tanto a evolução do crédito da Anthropic quanto o apetite de grandes empresas de tecnologia em seguir bancando esse tipo de garantia contratual.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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