A Bitmine Immersion Technologies, negociada sob o ticker BMNR, adquiriu 27.562 ETH na semana passada, montante avaliado em cerca de US$ 75,2 milhões considerando o preço do ether na segunda-feira, de US$ 2.727. A operação dá sequência a um movimento de acumulação que a empresa mantém desde meados de 2025.
Com a compra mais recente, as reservas da companhia somam 5.983.940 ETH, equivalentes a aproximadamente 4,9% do fornecimento total de 122,1 milhões de tokens do Ethereum. O número aproxima a Bitmine da meta declarada de deter 5% de toda a oferta em circulação da criptomoeda.
Segundo a empresa, o ritmo de compras foi mantido em todas as semanas desde junho de 2025, quando a companhia adotou formalmente uma estratégia de tesouraria baseada em criptoativos. Mantendo o ritmo observado nas últimas semanas, a Bitmine poderia atingir o objetivo de 5% da oferta nos próximos meses.
A companhia informou ainda manter cerca de 5 milhões de ETH em staking, o que representa por volta de 85% de suas reservas totais. Com base nos rendimentos atuais, a projeção é de uma receita anual de staking de aproximadamente US$ 357 milhões.
As ações da Bitmine subiram 5,8% no pré-mercado, dando sequência à alta de 8% registrada na sexta-feira anterior, movimento que acompanhou o avanço do ether a um patamar não visto desde o fim de janeiro.
Tom Lee vê 'corrida de recuperação' das instituições no fim do ano
Tom Lee, presidente do conselho da Bitmine e cofundador da Fundstrat, afirmou que investidores institucionais podem estar atrasados em relação à criptomoeda depois de terem priorizado ações ligadas a inteligência artificial no início do ano.
Segundo ele, desde o fim de junho o ether acumulou alta de 76%, desempenho bem superior ao ganho de 2% do S&P 500 no mesmo período. Para Lee, essa diferença de performance pode chamar a atenção de gestores de fundos que mantiveram posições reduzidas em criptoativos ao longo de 2026.
"Dado que as instituições subalocaram cripto em 2026, em parte devido ao desempenho superior das ações de IA no início do ano, esperamos que as instituições aumentem substancialmente sua exposição nos últimos três meses de 2026", disse Lee.
O executivo também citou a tokenização e o uso crescente de blockchain em aplicações de inteligência artificial como fatores estruturais que, no longo prazo, podem levar instituições a ampliar sua exposição a criptoativos.
O que isso significa para o investidor
O movimento contínuo de acumulação da Bitmine reforça um padrão de demanda corporativa por ether que já vinha sendo observado, mas o discurso de Tom Lee acrescenta uma camada especulativa: a aposta de que instituições tradicionais ainda vão elevar posições em cripto no último trimestre de 2026. Trata-se de uma leitura do próprio executivo, com interesse direto no ativo, e não de um dado de mercado consolidado — cabe ao investidor tratar a afirmação com o devido ceticismo.
Vale notar que o setor vive um momento sensível em termos técnicos: o AAR News já havia noticiado, em 18 de setembro de 2026, alertas de desenvolvedores sobre riscos de builders falsos no teste da rede Sepolia antes da atualização Glamsterdam, o que reforça que o ambiente de infraestrutura do Ethereum segue em transição enquanto o capital institucional avalia entrada.
Em termos de preço, o ether era cotado em US$ 2.761,86 às 16h59 BRT de 21 de setembro de 2026, alta de 4,45% no dia, segundo dados do TradingView, enquanto o S&P 500 marcava 7.772,15 pontos, com valorização de 1,59% na mesma janela — números que ilustram a diferença de ritmo entre o ativo digital e o mercado acionário tradicional citada por Lee, sem que isso configure garantia de continuidade da tendência.
Para quem acompanha o setor, os pontos a monitorar são o passo das próximas compras da Bitmine em relação à meta de 5% da oferta de ETH, a evolução da receita de staking projetada pela empresa e se o fluxo institucional de fato se materializa no quarto trimestre, como antecipado pelo executivo, ou permanece concentrado em poucos players corporativos como a própria Bitmine.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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