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Bitcoin sobe a US$ 85 mil e reabre debate sobre fim do 'inverno cripto'

Ativo atinge maior nível desde janeiro após rali de dias seguidos; CIO da Bitwise diz que mercado entrou em 'primavera cripto'

CNBC

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O bitcoin superou a marca de US$ 85.000 na segunda-feira, dando continuidade a um movimento de alta acentuado dos últimos dias, segundo dados da CoinMetrics citados pela CNBC. Por volta das 6h35 (horário de Brasília nos EUA, ou seja, horário local do leste americano), o ativo era negociado a US$ 84.256, avanço de cerca de 3,8%, após ter tocado US$ 85.229 mais cedo — o maior valor desde o final de janeiro.

O movimento reacende a discussão sobre o fim do chamado 'inverno cripto', período de preços deprimidos iniciado depois que o bitcoin bateu recorde histórico acima de US$ 126.000 em outubro de 2025. Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, disse ao programa 'Squawk Box Europe' da CNBC que, para ele, o período de baixa já ficou no passado. "Acredito que já passou, é primavera cripto, os açafrões estão florescendo", afirmou, acrescentando que espera o que classificou como o mercado altista mais forte e duradouro da história das criptomoedas.

Apesar do otimismo, o bitcoin ainda acumula perda no ano, segundo a reportagem. Nos últimos cinco dias, a valorização foi superior a 7%, e em três meses o avanço chega a quase 35% — ainda distante do recorde histórico atingido em outubro passado.

Hougan argumentou que, mesmo com a queda de preços ao longo do período recente, os fundamentos do setor melhoraram, citando o aumento de transações em blockchains e a presença crescente de grandes gestoras, como a BlackRock. "Tivemos essa situação inusitada em que havia um declínio cíclico de preços ao mesmo tempo em que havia uma melhora estrutural nos fundamentos. Agora suspeito que os preços vão convergir para esse patamar até o fim do ano", disse o executivo, acrescentando que não espera ver o bitcoin abaixo das máximas históricas caso o cenário seja revisto no próximo ano.

Analistas do BTIG, em nota de domingo citada pela CNBC, avaliaram que, enquanto o nível de US$ 75.000 se sustentar, os compradores podem buscar romper a marca de US$ 82.000 no caminho até US$ 90.000. Ações ligadas ao setor cripto, como Strategy e Coinbase, operavam em alta no pré-mercado americano na segunda-feira.

Rejeição regulatória e rotação saindo de IA

O rali ocorre mesmo após o Senado dos Estados Unidos ter bloqueado, na semana passada, o avanço do Clarity Act, projeto que criaria um arcabouço regulatório para criptomoedas dividindo a supervisão do setor entre a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) e a CFTC (Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities).

Segundo a reportagem, o avanço regulatório nos EUA — como o Genius Act, aprovado no ano passado — tem sustentado os preços das criptomoedas. Mas, na leitura de Hougan, a própria rejeição do Clarity Act pode acabar beneficiando o mercado, já que a SEC e a CFTC continuarão definindo as regras no cenário atual. "É a SEC mais favorável às criptomoedas da história dos EUA, e a CFTC mais favorável às criptomoedas da história dos EUA. Então, ironicamente, na ausência da aprovação do Clarity, podemos ter uma regulação pró-cripto ainda mais forte", disse o executivo da Bitwise.

Hougan também apontou uma rotação de investidores saindo de ações ligadas à inteligência artificial em direção a criptomoedas. Segundo ele, o boom de IA havia concentrado a atenção do mercado, e agora que esse movimento perdeu força, o capital orientado por momentum está voltando para o setor cripto.

O que isso significa para o investidor

A retomada do bitcoin não ocorre no vácuo. A cobertura anterior do AAR News já havia registrado que o ativo resistiu a um cenário adverso — rejeição do Clarity Act pelo Senado combinada a alta de juros do Fed — mantendo-se perto de US$ 75.000, segundo analistas ouvidos pela CoinDesk em 20 de setembro de 2026. Também no mesmo período, o Banco do Japão elevou juros a 1,25%, movimento que pressionou o iene mas coincidiu com o bitcoin superando US$ 77.000, em parte sustentado por fluxos ligados ao carry trade. Segundo o scanner da TradingView, em 21 de setembro de 2026 às 12h54 (horário de Brasília), o bitcoin era cotado a US$ 86.021,02, alta de 6,00% no dia — patamar acima até do pico de US$ 85.229 mencionado pela CNBC, o que sugere continuidade do movimento comprador.

Para o investidor brasileiro exposto a criptoativos, o ponto central é diferenciar entusiasmo retórico de mudança estrutural. As falas de Hougan sobre fundamentos — mais transações em blockchain, entrada de gestoras como a BlackRock — indicam um argumento de convicção, mas o próprio texto reconhece que o bitcoin ainda está no negativo no acumulado do ano e distante da máxima histórica de outubro de 2025. Isso significa que a narrativa de 'primavera cripto' ainda precisa ser confirmada por fluxo sustentado, não apenas por um rali de poucos dias.

O vácuo regulatório criado pela rejeição do Clarity Act é outro ponto a monitorar. A leitura de que a ausência de uma lei específica pode, paradoxalmente, favorecer o setor — por deixar SEC e CFTC com mais liberdade de atuação sob uma composição favorável às criptomoedas — é uma aposta política que pode se reverter com mudanças na composição desses órgãos. Investidores devem acompanhar também se a rotação de capital saindo de ações de inteligência artificial para criptoativos, mencionada por Hougan, se sustenta ou é apenas um ajuste de curto prazo em meio à volatilidade recente do mercado.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos