A Binance investiu US$ 100 milhões em ações da Circle CRCL$87.37·Market Closed e assinou um novo acordo comercial de cinco anos para promover e integrar a stablecoin USDC USDC$0.9998 em sua plataforma. A movimentação dá à Binance participação direta no crescimento da Circle e amplia o alcance de distribuição da emissora de stablecoin, segundo analistas ouvidos pelo CoinDesk.
O analista da Clear Street Owen Lau disse ao CoinDesk que o arranjo aprofunda a relação entre as duas empresas e alinha os interesses da Binance aos da Circle, num modelo que ele compara ao vínculo já existente entre a Circle e a Coinbase, em que a exchange atua como distribuidora e também como acionista.
Binance já é um canal relevante de negociação da USDC
A primeira parceria entre as companhias, anunciada em dezembro de 2024, já alterou o volume de negociação da USDC dentro da exchange, de acordo com dados da Kaiko citados pelo CoinDesk.
No início da parceria, a Binance oferecia 140 mercados à vista cotados em USDC. Esse número subiu para 329, segundo a Kaiko. A comparação mostra um ritmo bem mais lento no período anterior: de 39 mercados em 2021 para 140 até o fim de 2024.
O volume mensal de negociação de USDC na Binance também praticamente dobrou, saindo de uma faixa entre US$ 20 bilhões e US$ 40 bilhões antes da parceria para valores consistentemente acima de US$ 80 bilhões.
Anastasia Melachrinos, chefe de pesquisa da Kaiko, afirmou ao CoinDesk que, ao longo de 2026, a Binance vem concentrando a maior fatia da atividade de negociação à vista em USDC, processando entre US$ 5 milhões e US$ 10 bilhões em volume diário — uma faixa entre 10 e 20 vezes maior do que a registrada na maioria das demais plataformas, que costumam ficar abaixo de US$ 0,5 bilhão.
Segundo a Kaiko, outras grandes exchanges permaneceram, de modo geral, dentro das faixas anteriores de negociação de USDC, o que sugere que o crescimento observado está concentrado na própria Binance.
"À medida que a Binance acelera o alcance da USDC em mercados emergentes, essa concentração tende a crescer ainda mais", disse Melachrinos ao CoinDesk.
Mais pressão sobre o Tether
A USDC tem capitalização de mercado de cerca de US$ 74 bilhões, o que a mantém como a segunda maior stablecoin em dólar, atrás dos aproximadamente US$ 140 bilhões do USDT, emitido pelo Tether.
"Há um incentivo claro dos dois lados para expandir a USDC por meio da base de usuários e da infraestrutura da Binance", disse ao CoinDesk Martins Benkitis, cofundador e CEO da Gravity Team.
A Circle também tem investido além da emissão da stablecoin. A Circle Payments Network foi criada para conectar instituições financeiras em pagamentos com stablecoins, enquanto a aquisição anunciada da Tazapay, empresa de Singapura, por US$ 400 milhões, deve agregar relações bancárias locais e trilhas de pagamento em mercados emergentes.
Essa estratégia ocorre num momento em que a disputa por stablecoins deixou de envolver apenas Circle e Tether. Empresas de pagamento e bandeiras como Visa, Mastercard e Stripe têm avançado com força sobre infraestrutura e pagamentos em stablecoins, segundo o CoinDesk.
A Circle mantém ainda relação comercial próxima com a Coinbase, que distribui a USDC e participa de sua economia. Lau disse ao CoinDesk que o acordo com a Binance não dá à Circle alavancagem adicional sobre a Coinbase, lembrando que a parceria entre as duas foi recentemente renovada.
A Binance consegue expor a USDC a mais usuários, mas a rede de negociação e pagamentos já consolidada em torno do USDT deve tornar qualquer mudança de participação de mercado um processo lento, segundo os analistas consultados pelo CoinDesk.
"Isso coloca mais pressão sobre o USDT, particularmente na negociação global e em mercados emergentes, onde ele construiu uma posição muito forte ao longo de muitos anos", disse Benkitis ao CoinDesk. "Mas a distribuição sozinha não muda isso da noite para o dia. O USDT tem pares de negociação profundos, liquidez local e, o mais importante, as pessoas já estão acostumadas a usá-lo."
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha o setor cripto no Brasil, o acordo entre Binance e Circle reforça um movimento de consolidação em torno de poucas stablecoins dominantes, com efeitos sobre liquidez, custos de conversão e a própria escolha de qual dólar digital usar em operações de trading. A ampliação dos mercados cotados em USDC dentro da Binance tende a facilitar arbitragem e reduzir fricção para quem opera com essa stablecoin, ainda que o USDT continue sendo referência em profundidade de mercado, segundo os dados citados pela Kaiko.
O contexto de mercado também importa. Conforme cobertura recente do AAR News, o CoinDesk registrou, em 18/09/2026, uma alta ampla em criptoativos após o susto do Fed passar, com tokens como Starknet e Arbitrum subindo mais de 17%, o rendimento do Treasury de 10 anos recuando para menos de 5% e 98 dos 100 ativos do índice CoinDesk 100 em alta. Esse pano de fundo de apetite por risco favorece movimentos como o da Binance e da Circle, que dependem de volume de negociação elevado para gerar tração comercial.
Investidores expostos a ações da Circle ou a criptoativos ligados a stablecoins devem acompanhar, daqui para frente, se o aumento de volume na Binance se traduz em ganho efetivo de participação de mercado da USDC frente ao USDT, e não apenas em maior atividade dentro de uma única exchange. A evolução da aquisição da Tazapay e da Circle Payments Network também é um indicador relevante da capacidade da Circle de competir em pagamentos, além da simples emissão de stablecoin.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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