A Base Exchange, projeto que se apresenta como a primeira rival de peso da B3 no mercado acionário brasileiro depois de anos de domínio da bolsa paulista, informou que pretende começar a operar apenas no segundo semestre de 2027. A data representa um atraso de dois anos em relação ao cronograma original, segundo o presidente-executivo da companhia, Francisco Gurgel, em entrevista à Reuters.
O projeto é liderado pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, e propõe oferecer negociação de ações, fundos imobiliários e fundos de índice (ETFs). Gurgel afirmou que a entrada de um novo player deve ampliar a concorrência no setor e, potencialmente, reduzir custos para os investidores — sem, no entanto, detalhar qual seria a magnitude dessa possível queda.
Retorno do Rio de Janeiro ao mapa das bolsas
Um dos aspectos simbólicos do projeto é o resgate da negociação de ações no Rio de Janeiro, cidade que ficou fora do radar bursátil por mais de 25 anos desde que sua bolsa se fundiu com a B3, sediada em São Paulo. A Base mantém atualmente escritórios tanto no Rio quanto em São Paulo e emprega 210 funcionários.
Segundo Gurgel, o Banco Central do Brasil autorizou, no mês passado, o início dos testes funcionais da nova bolsa para o começo de 2027, como parte do processo regulatório de autorização. Essa etapa é descrita pela empresa como um marco relevante no caminho até a operação plena.
Em entrevista anterior à Reuters, a própria Base Exchange já havia projetado um lançamento ainda no segundo semestre de 2025, prazo que não se confirmou. "Tem sido um aprendizado", disse Gurgel, reconhecendo que estruturar uma bolsa do zero demandou mais tempo do que o previsto inicialmente pela equipe.
Escopo de atuação e planos de capital
De acordo com o executivo, a Base Exchange negociará todas as ações atualmente listadas na B3, mas não pretende oferecer listagens primárias — os chamados IPOs — para empresas de imediato quando iniciar as operações. A estratégia, portanto, concentra-se inicialmente na negociação secundária dos papéis já existentes no mercado.
Gurgel afirmou ainda que a companhia poderá buscar parceiros minoritários para se somar ao Mubadala no futuro. Segundo ele, o objetivo dessa eventual abertura societária seria trazer mais participantes do mercado para o conselho de administração da bolsa, e não necessariamente captar capital adicional para o projeto.
Resposta da B3
Procurada pela Reuters, a B3 declarou que já enfrenta concorrência de bolsas internacionais, destacando que investidores estrangeiros respondem por cerca de 50% dos volumes negociados no Brasil. A companhia afirmou também que sua política de preços foi desenhada para oferecer condições competitivas a todos os perfis de clientes, em resposta indireta à chegada da nova concorrente.
O que isso significa para o investidor
Para quem investe em ações brasileiras, o anúncio reforça que a quebra do monopólio histórico da B3 segue em curso, mas em ritmo mais lento do que o inicialmente projetado pela própria Base Exchange. O adiamento para 2027 indica que os efeitos práticos de uma eventual concorrência — como mudanças de preços de negociação ou de infraestrutura de mercado — ainda estão distantes do horizonte imediato do investidor.
O fato de a nova bolsa não pretender oferecer IPOs de início também limita, por ora, o alcance da disrupção: o impacto inicial tende a se concentrar na negociação secundária de ações, FIIs e ETFs já existentes, e não na capacidade de captação de novas empresas via mercado de capitais.
Vale acompanhar os próximos passos regulatórios, como o andamento dos testes funcionais previstos para início de 2027 junto ao Banco Central, além de eventuais sinalizações da B3 sobre ajustes em sua estrutura de custos diante da concorrência anunciada. Esses movimentos devem ser os indicadores mais concretos de como o cenário competitivo da infraestrutura de mercado brasileira vai evoluir até o lançamento efetivo da Base Exchange.
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